IDEA — Inequity and Distributive Economic Analysis
Projeto IDEA · Equidade na avaliação de tecnologias em saúde

Quem vive em municípios mais privados tem 7,75 anos a menos de vida com qualidade.

Diferença na expectativa de vida ajustada pela qualidade (QALE) ao nascer entre os quintis extremos de privação socioeconômica. O IDEA mede essa desigualdade e avalia como novas tecnologias podem modificá-la.

Abrir o estudo de caso

Cada ponto representa cerca de 5 municípios, por quintil do Índice de Deprivação Social (IDS). Altura das colunas proporcional à QALE, a partir de zero.

01 · Distribuição basal de saúde

Desigualdades em saúde no Brasil

QALE segundo privação socioeconômica

Estimativa da distribuição basal de saúde da população brasileira, integrando o Censo Demográfico 2022, registros de mortalidade do DATASUS e dados de qualidade de vida (EQ-5D), segundo um Índice de Deprivação Social (IDS) municipal.

Principal resultado
7,75

anos de QALE ao nascer

de diferença entre o quintil mais privado (Q1) e o menos privado (Q5).

11% a 15%

menor QALE no quintil mais privado, em termos relativos, conforme a medida (gap relativo e índice relativo de desigualdade).

QALE ao nascer por quintil do IDS

Anos · eixo a partir de zero

Clique numa coluna para comparar com Q5.

Diferença por idade

QALE restante, Q5 − Q1 (anos)

A diferença absoluta diminui com a idade; a relativa se mantém em ~10–11%.

Expectativa de vida e QALE

Anos ao nascer · escala de 0 a 80

A diferença entre Q1 e Q5 é maior quando a qualidade de vida é considerada.

O que é o IDS?

Medida composta que combina o Índice Brasileiro de Privação (BrazDep) e o Índice de Vulnerabilidade Social (IVS), sintetizados por análise de componentes principais ponderada pela população.

Renda e trabalhoEducaçãoCondições de moradiaServiços básicos

Quintis populacionais: cada grupo reúne ~20% da população.

O que esses resultados significam?

  • Existem desigualdades relevantes na saúde da população brasileira, associadas à condição socioeconômica.
  • A distribuição basal fornece parâmetros nacionais, por quintil, sexo e idade, para incorporar a equidade às avaliações econômicas.
  • Essas estimativas apoiam a DCEA, avaliando como novas tecnologias podem modificar desigualdades preexistentes.
02 · Revisão de escopo

Equidade nas avaliações econômicas em saúde

O que a literatura internacional mostra

Revisão de escopo com 76 estudos mapeou como a equidade tem sido incorporada às avaliações econômicas da saúde, os principais métodos, as aplicações e os desafios para a tomada de decisão.

0

estudos incluídos (de 5.702 registros)

0

publicados a partir de 2015

0

usaram DCEA (42%) ou ECEA (40%)

0

relataram uso explícito em decisão real de cobertura, reembolso ou implementação

Onde os estudos foram realizados

% das ocorrências por continente (n = 81; alguns estudos abrangem mais de um país). 57% em países de baixa e média renda.

Intervenções avaliadas

O que esses resultados significam?

  • A equidade está cada vez mais presente nas avaliações econômicas, mas ainda com aplicação limitada na prática.
  • Sistemas de informação, padronização dos métodos e transparência são essenciais para o uso nas decisões de ATS.
  • Incorporar a equidade pode contribuir para decisões mais justas e alinhadas às necessidades da população brasileira.
03 · IDEA-BraS

Equidade na ATS brasileira

Percepções e preferências distributivas de profissionais de ATS

Como profissionais envolvidos em ATS no Brasil percebem a incorporação da equidade nas avaliações econômicas e quais são suas preferências diante de trade-offs entre eficiência e redução das desigualdades.

92,8%
Principal resultado

dos participantes concordam que a DCEA deve ser considerada na ATS brasileira.

n = 69 profissionais de ATS

Quem participou

69

profissionais

94,2%

com pós-graduação

49,3%

com ≥ 6 anos de atuação

59,4%

atuam em nível federal

Importância da equidade

% que concordam total ou parcialmente

Boa compreensão ou experiência prática

Critérios distributivos prioritários

Até três opções por participante

Barreiras à implementação

Até três opções por participante

Preferências distributivas

Experimento de escolha · 66 respostas classificáveis

ε = 5,36
mediana do parâmetro de Atkinson · IIQ 2,97–10,94 · Kolm (α) 0,075

34 participantes (49,3% da amostra) com parâmetros finitos estimados. Preferências igualitárias e maximin não são representáveis por parâmetros finitos nessa abordagem.

Peso de 1 QALY em cada quintil

CálculoPeso marginal de Atkinson (μ/h)ε sobre a QALE basal

O que esses resultados significam?

  • Elevada valorização da equidade entre profissionais de ATS, com ampla receptividade à DCEA.
  • Desafios de implementação: disponibilidade de dados, familiaridade metodológica e diretrizes institucionais.
  • Preferências heterogêneas: recomenda-se usar diferentes parâmetros e análises de sensibilidade na DCEA.
04 · Estudo de caso 2027

Hidroxiureia na doença falciforme

DCEA com acesso observado no SUS

Efeito distributivo da hidroxiureia versus cuidado padrão, em cenário único fundamentado na utilização observada (TabNet, procedimentos por município como proxy). Os valores abaixo são recalculados a partir das fórmulas da planilha do estudo.

Cuidado padrão: R$ 281
Base: 1,055 − 1,038 = 0,017
0 = custo-efetividade convencional · 5,36 = mediana IDEA-BraS
RCEI
R$ por QALY
Benefício líquido (NHB)
QALYs
NHB ponderado
QALYs × peso de Atkinson
Δ EDE
QALYs equivalentes

Benefício, custo de oportunidade e saldo por quintil

QALYs totais por quintil do IDS

Benefício brutoCusto de oportunidadeSaldo (NHB)

Dominância de Lorenz

Δ curva de Lorenz acumulada (pós − basal), ×10

Sensibilidade à aversão (ε)

Δ EDE (QALYs equivalentes), ε de 0 a 11

O que esses resultados significam?

Cenário-base da planilha (acesso observado, k = R$ 40.000/QALY, gradiente de OC hipotético, ε = 5,36).

  • Todos os quintis apresentam ganhos líquidos de saúde (dominância de Pareto).
  • As curvas de Lorenz se cruzam: não é possível afirmar redução inequívoca da desigualdade relativa.
  • Considerando conjuntamente ganhos e distribuição (Lorenz generalizada e EDE), a intervenção melhora o bem-estar social.
05 · Fontes e limitações

Observação, cálculo ou hipótese

Rastreabilidade dos componentes do estudo de caso

Distinção entre dados brasileiros observados, parâmetros do estudo e hipóteses ilustrativas. Clique nos cartões para ver a limitação de cada componente.

Os cenários 2 e 3 não foram operacionalizados: faltam prevalência e elegibilidade por IDS, necessidade não atendida e parâmetros de ampliação do acesso.